Pois bem, livro lido, vamos à resenha.
A obra conta a história de uma banda de rock dos anos 70 usando um formato bem diferente: é como se fosse uma grande entrevista realizada anos depois, com cada integrante relembrando tudo o que aconteceu. Acompanhamos a ascensão do grupo, os conflitos internos, os shows lotados e, claro, a parceria explosiva entre Daisy, uma cantora linda e cheia de atitude (chataa), e Billy, o líder carismático e controlador da banda (porree).
O que mais me impressionou foi como a escrita da Taylor Jenkins Reid é coesa (meu sonho dourado é um dia conseguir escrever de forma tão consistente assim). A história flui de um jeito tão natural que, em alguns momentos, eu esquecia que estava lendo e me sentia assistindo a um documentário de verdade. As vozes dos personagens são bem distintas, os diálogos são afiados e a ambientação nos anos 70 funciona muito bem. E ambientação é algo que valorizo bastante em obras literárias.
O livro tem mais de 400 páginas, mas a leitura passa voando porque é suave e viciante.
Agora, vou ser sincera: apesar de a história ser ótima, os protagonistas não conseguiram me cativar tanto quanto eu esperava. Tanto Daisy quanto Billy são extremamente autocentrados. Ela passa boa parte do livro numa vibe de "ninguém me entende" e toma decisões impulsivas que afetam todos ao seu redor. Ele, por outro lado, é daqueles que acreditam que o mundo gira em torno da própria visão artística e do próprio sofrimento.
Teve momentos em que achei os dois bastante mimados, e isso me irritava, honestamente. Cada um parece tão preso aos seus dramas... Daisy às drogas e à fama, Billy à culpa e ao ego , que mal consegue enxergar as pessoas à sua volta. E isso acabou me frustrando um pouco, porque os outros membros da banda são interessantes e, muitas vezes, ficam em segundo plano. Eu queria mais deles e menos desse constante "eu, eu, eu" dos protagonistas.
No fim, Daisy Jones & The Six é um livro que recomendo pela estrutura criativa, pela excelente ambientação e pela fluidez da escrita. Porém, não sei se todo leitor vai se apaixonar pelos protagonistas com facilidade. Para mim, faltou aquele afeto, aquela torcida genuína que faz a gente se apegar aos personagens. Dá para admirar a construção da trama e a maneira como tudo se conecta, mas Daisy e Billy me deixaram com a sensação de que faltou algo, justamente por serem tão fechados em seus próprios mundos.
Vale a leitura, mas com essa ressalva.
Abraço e até a próxima!
Elôh Santi


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