Se “Imagens Estranhas” era como assistir a um filme de terror em que cada quadro pingava suspense, “Casas Estranhas” me pareceu mais como visitar um labirinto de espelhos dentro de uma casa mal-assombrada temática. A premissa é incrivelmente interessante: casas que mudam, cômodos que respiram e regras da realidade que amolecem como manteiga ao sol. A construção é criativa e o mistério, nos primeiros atos, é denso e realmente intrigante.
No entanto, cheguei a um ponto da narrativa em que me senti como um hamster de laboratório preso em uma roda giratória. Quando o cerne do mistério, os tais “porquês” daquela realidade distorcida, começa a ficar mais claro, a sensação de descoberta perde o gás. É como se o autor tivesse me mostrado a engrenagem principal do relógio maluco e, a partir daí, observar os ponteiros girarem se tornou um processo mais mecânico. Quanto menos tempo você leva para decifrar essa engrenagem, mais a imersão escapa pelos vãos do assoalho.
Um elemento que, paradoxalmente, me tirava um pouco do fluxo era a sapiência do Kurihara. Nossa, como esse homem acerta tudo! Suas deduções são tão certeiras e surgem com uma facilidade tão desconcertante que, em vez de admiração, às vezes eu sentia uma coceira de irritação. Era como ter um Sherlock Holmes de conveniência dentro da história, desvendando os nós narrativos com uma agilidade que quase banalizava o perigo.
No balanço final, minha jornada por essas casas foi uma visita de respeito, com bons sustos e quebra-cabeças mentais satisfatórios. Saí contente, mas sem a necessidade urgente de recomendar a todos como algo transformador. Uketsu continua sendo um autor fantástico, mas, desta vez, acho que entrei na casa com os pés leves demais, esperando um baile tenebroso, e acabei saindo de uma festa à fantasia inteligente. Um pouco menos assustadora do que eu ansiava, mas ainda assim memorável. E sim, vale o tempo dedicado.
Abraço e até a próxima,
Elôh Santos

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