Confesso que eu precisava disso. Depois de um dezembro repleto de leituras tão intensas, sendo que algumas não me deram fôlego para transformá-las em resenha, senti uma necessidade urgente de fechar o ano abraçada por algo leve, fofo e capaz de aquietar o coração. Foi então que me deparei com o conto da Ali Hazelwood, “Uma Noite de Inverno com Você”, disponível na Audible. E sim, não foi exatamente uma leitura, mas surtiu perfeitamente o efeito de alívio aconchegante que eu buscava, especialmente depois de ter passado por obras como “Saboroso Cadáver”.
Mergulhar nessa história foi como encontrar uma xícara de chocolate quente e cremoso após um longo dia no frio: um pequeno remédio para a alma, acompanhado de suspiros e sorrisos bobos.Preciso dizer que os universos criados pela Ali Hazelwood têm um efeito colateral delicioso em mim, eles despertam uma vontade imensa de ser amiga dela. Não é exagero. O senso de humor afiado e irônico, aliado ao tom autodepreciativo sem exageros, que ela empresta aos seus personagens, é algo que adoro e com o qual me identifico profundamente. Os diálogos arrancam risadas espontâneas, como quem compartilha uma piada interna, e os pensamentos dos personagens são tão humanamente desastrados e cativantes que é impossível não se apegar.
E falando em apego, eis a magia deste conto: mesmo sendo uma história curta, Ali Hazelwood consegue, com maestria, criar um cenário crível e desenvolver uma química entre o casal que é instantânea e convincente. Em poucas páginas, você já torce por eles, já sente a tensão no ar, compreende suas inseguranças e passa a desejar, com todas as forças, que aquelas duas almas meio perdidas e engraçadas encontrem um caminho possível para o bem-estar mútuo. A estrutura é perfeita para aquilo a que se propõe.
De forma resumida, em “Uma Noite de Inverno com Você”, Ali Hazelwood pega dois adultos extremamente competentes no trabalho, mas absolutamente desastrosos quando o assunto é sentir coisas, e os coloca em uma situação de convivência forçada em pleno frio, cercada por isolamento, silêncios constrangedores e pensamentos não ditos em excesso. A partir daí, ela deixa que a química faça o resto. É o tipo de história em que nada acontece oficialmente por um bom tempo, mas tudo acontece no subtexto: olhares que duram demais, proximidade inevitável, uma tensão capaz de aquecer a noite sem a ajuda de um aquecedor, e personagens que passam o conto inteiro tentando convencer a si mesmos de que estão perfeitamente bem, quando claramente não estão. Tudo embalado por aquele humor autoconsciente e levemente neurótico que a autora domina muito bem.
No fim, essa experiência me lembrou de uma verdade simples, porém importante: existe uma diferença enorme entre obras que pedem para ser dissecadas, analisadas camada por camada, e obras que existem puramente para fazer companhia. Este conto pertence, sem dúvida, à segunda categoria. Ele não exige esforço; ele oferece conforto. Não quer ser decifrado, mas vivido e sentido naquele instante aconchegante. E, cá entre nós, que presente foi poder encerrar o ano com uma companhia tão doce.
Grande abraço, FELIZ 2026 e até a próxima!
Elôh Santos⭐
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