Sabe quando o universo parece estar conversando com a gente? Foi exatamente assim que me senti no último domingo, caminhando sem pressa pelo centro histórico da minha cidade , encontrei largado em um parapeito esse livro. Argel, Cidade Branca, de Régine Deforges, lançado em 2003 pela editora Novo Século. Um livro que já tem mais de vinte anos de estrada e que apareceu para mim justamente quando me questionava porque havia parado de garimpar em sebos literário.
Há algum tempo fiz uma promessa silenciosa para mim mesma: todo livro que eu encontrasse por acaso, sem procurar, seria tratado como um presente do universo. E presente recebido precisa ser lido e comentado, seja aqui no blog ou nos stories do Instagram. Pois bem, promessa feita, promessa cumprida. Eis aqui o que achei sobre a história desse achado:
Logo nas primeiras páginas, o livro já me levou para um cenário quase cinematográfico. A história acompanha Léa, uma mulher que vive cercada pela atmosfera sofisticada de Paris, bem perto do Museu do Louvre. Mas por trás desses tais cafés charmosos e das ruas elegantes existe uma tensão constante. É aquela sensação de que há algo errado no ar, como entrar numa sala e perceber que as pessoas estavam falando de você. A cidade linda vira cenário para relações humanas nada bonitas. Para quem gosta de suspense psicológico, como eu, é um prato cheio.
É nesse clima que surge Argel, personagem que dá título ao livro. Ele é definitivamente um tipo de ‘Jurandir” que a gente tende a cair no papo. A presença dele na vida de Léa é daquelas que começam discretas, mas logo mudam o rumo de tudo. Ele não narra a história, mas é claramente o centro do furacão. A autora constrói a tensão aos poucos, como quem puxa um fio sem saber que tipo de nó pode aparecer no final. Em vários momentos eu me peguei pensando: “mulher, corre”.
O que mais me chamou atenção foi como os personagens têm camadas. Ninguém ali é exatamente o que parece. Tem gente que se veste de bondade por fora, mas por dentro guarda outra coisa. O livro brinca com a ideia de que o mal raramente aparece de forma óbvia. Muitas vezes ele veste terno de grife, frequenta lugares refinados e mora em apartamentos lindos. Justamente por isso passa despercebido.
Com o avanço da história, fica claro que o livro é mais do que um simples “quem matou?”. Ele fala sobre desejos, memórias mal resolvidas e aquelas fragilidades que a gente tenta esconder. Léa acaba presa numa teia de segredos, e o leitor vai junto, desconfiando de tudo e de todos. É o tipo de história que faz a gente pensar até onde iria para esconder uma mágoa ou satisfazer uma vontade.
Ler Argel, Cidade Branca foi cumprir uma promessa que fiz a mim mesma e, ao mesmo tempo, encontrar uma história que prende do começo ao fim. Saí da leitura com a sensação de ter espiado uma vida que parecia perfeita de longe, mas que de perto revela mais rachaduras do que se imagina. E confesso: adorei cada minuto dessa fofoca literária.
Então fica a dica: se você trombar com esse livro por aí, seja na rua , na chuva , fazenda.. dê uma chance. Às vezes o universo coloca um livro no nosso caminho não só para entreter, mas para lembrar que a vida real também tem seus mistérios. E que, assim como em Paris, nem todo anjo é de luz.
Grande abraço e até a próxima ! 👼
Elôh Santi

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Esse é do fundo do Baú. Lembro de amar essa autora por conta do livro Bicicleta Azul, esse eu u li e não gostei tanto. Mas a escrita da Regine é belíssima.
ResponderExcluirEu ainda não li " Bicicleta Azul", mas você não é a primeira pessoa a comentar sobre ele despois que fiz essa resenha. Vou a procura, é uma nova possível resenha. E sim, a escrita dela tem um quê de elegância, não é?!
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