A história começa com a morte de uma super modelo, Lula Landry, que caiu da sacada do seu apartamento em Londres. A polícia concluiu que foi suicídio, mas o irmão da moça, desconfiado, contrata o detetive particular Cormoran Strike para investigar o caso. E é aí que a minha diversão começa, longe dos diagnósticos e perto de um bom e velho mistério.
O grande acerto do livro está na construção dos protagonistas. Strike não é o detetive charmoso de cinema: é grande, cansado, com uma prótese na perna que dói e uma vida financeira quase falida. Parece alguém que você encontraria num barzinho de esquina reclamando da conta de luz. Ao lado dele surge Robin Ellacott, secretária temporária que deveria estar ali só por um turno, mas carrega inteligência e uma vontade de aventura que ela mesma tenta esconder. A química entre os dois não explode, e sim acende devagar, como vela.
A investigação não aposta em perseguições ou explosões. É paciente, quase artesanal. Strike entrevista pessoas, observa contradições, junta detalhes pequenos. O suspense é construído sem pressa, confiando na atenção do leitor. Em vez de reviravoltas a cada página, temos trabalho de verdade. E isso, curiosamente, é revigorante.
O livro também aproveita para cutucar o mundo da moda e a mídia. A fama aparece como vitrine bonita por fora e vazia por dentro. A imprensa molda narrativas como quem vende espetáculo. E as relações familiares, muitas vezes, parecem girar mais em torno do dinheiro do que do afeto. Existe a famosa Lula Landry, e também existe a garota solitária por trás dela. A Londres fria e cinzenta reforça essa sensação de isolamento, quase como um personagem silencioso. Eu realmente amei a atmosfera presente na historia.
Mas agora vamos aos “mas, porque sempre há. Em alguns trechos, o ritmo desacelera demais. A parte central, cheia de entrevistas, pode cansar leitores mais ansiosos. Há diálogos que dão voltas antes de chegar ao ponto, o que exige paciência. Além disso, para quem já leu muitos romances policiais, a identidade do culpado não é exatamente surpreendente. As pistas estão ali, organizadas. A revelação é coerente, mas não causa aquele impacto arrebatador. Alguns personagens secundários também funcionam mais como peças do quebra-cabeça do que como figuras profundas.
No fim, O Chamado do Cuco não é um livro que explode, e sim um que se sustenta. Entendi que o mais interessante não é “quem matou?”, mas “com quem vamos investigar?”. A força está no nascimento da dupla Strike & Robin. Terminei a leitura menos impressionada com o mistério e mais interessado neles. E opino que esse foi um bom e sólido começo para essa série. E o melhor: li por para entregar um trabalho e acabei me divertindo. Amo demais quando isso acontece.
Abraço e até a próxima,
Elôh Santos

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