Ron Bugado (Ron's Gone Wrong), chegou recentemente na Netflix e embora seja uma obra de 2021 meio que esquecida lá no catálogo da Prime, eu preciso falar dessa animação para vocês, vai que o boca a boca dê a ela o holofote que merece. Assim sendo, deixa começar.
A história se passa em um mundo onde toda criança tem um "B-Bot"(?????rs) explico: um robô redondo e fofo que é seu melhor amigo, personalizador de experiências e portal absoluto para o universo das redes sociais. No centro disso está Barney, um garoto desastrado, socialmente deslocado e que não se encaixa no molde brilhante e popular da sua escola.
A narrativa é incrivelmente acessível porque parte de uma dor universal: a solidão e a dificuldade de fazer amigos genuínos em uma era de conexões superficiais. Qualquer um que já se sentiu um peixe fora d'água se identifica instantaneamente com Barney.
A direção de arte e a animação criam uma fluidez visual impressionante. O mundo real é colorido, mas um tanto quanto genérico, enquanto o universo digital dos B-Bots é uma explosão de hologramas, jogos e filtros vibrantes. A transição entre esses dois planos é suave, mostrando como eles estão totalmente integrados na vida dos personagens. A fluidez narrativa, no entanto, quebra-se justamente com a chegada de Ron. Ele é um ponto de atrito, um "glitch" no sistema suave da sociedade, e é essa falta de fluidez dele que força Barney a experimentar a vida real, de forma mais autêntica, embora caótica, e aqui é onde o filme brilha.
Ron é um B-Bot que saiu da fábrica defeituoso, sem conexão com a nuvem e, portanto, sem nenhum dos algoritmos que ditam como uma amizade deveria ser. Ron não entende sarcasmo, cospe balas quando fica nervoso (em vez de dar "likes"), usa um ventilador de mão como arma e acha que fazer um amigo é literalmente colar uma foto dele no peito. Suas falhas são, na verdade, as metáforas mais engraçadas e inteligentes para os comportamentos desajeitados, imprevisíveis e genuínos de uma amizade verdadeira. Enquanto os outros B-Bots conectam as crianças a interesses comuns baseados em dados, Ron conecta Barney a pessoas através de interações físicas, desastradas e hilárias.
A empresa por trás dos B-Bots, a "Bubble", vê Ron como um vírus a ser eliminado. Esta é uma metáfora poderosa para o modo como a tecnologia moderna busca padronizar e eliminar a imprevisibilidade humana. O que é considerado um defeito no sistema é, na verdade, a essência da humanidade e da individualidade.
A palavra de ativação dos B-Bots é "Conectar!". É uma metáfora direta e irônica para nossa busca obsessiva por conexões online. O filme questiona: o que significa realmente "se conectar"? É ter milhares de amigos em um app ou é ter uma única pessoa com quem você pode ser um completo desastre, e ainda assim ser aceito? Ron redefine essa palavra para Barney, mostrando que conexão é sobre estar presente, mesmo que seja para bater em pinatas de forma agressiva e descontrolada..
E assim concluo:
A jornada de Barney e Ron é sobre proteger essa joia rara e bugada da amizade genuína contra as forças da padronização digital. A narrativa nos leva a torcer não para que Ron seja consertado, mas para que o mundo aprenda com os seus defeitos. E acredito que a maior mensagem do filme seja essa: a verdadeira amizade não é um produto de consumo, atualizado e algorítmico. É um processo orgânico, cheio de bugs, imprevistos e, justamente por isso, é perfeitamente imperfeito e único.
Sério, impossível não recomendar essa joia. Assiste lá!
Abraço e até a próxima,
Elôh Santos
🎬CLAQUETE:
Título: Ron Bugado
Titulo Original: Ron's Gone Wrong
Direção: Sarah Smith, Jean-Philippe Vine e Octavio E. Rodriguez.
Ano: 2021 (EUA, Canadá, Reino Unido)
Gênero: Animação
Duração: 107 minutos.
Onde assistir: Netflix

A mensagem dessa animação é tão bem passada que realmente fica difícil não propagar.
ResponderExcluirneh?!! <3
ExcluirIndicação aceita. ♥️
ResponderExcluirQue bom !
ExcluirAssistir ontem e fiquei apaixonada. Queria ter um Ron bem bugado pra mim 🤖
ResponderExcluirTodas nós! rs
Excluir