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domingo, 1 de março de 2026

Doidas e Santas: crônicas que parecem simples, até não serem.

 

A escrita da Martha Medeiros é daquelas que às vezes enganam: parece simples à primeira vista, mas em vários momentos ganha a capacidade de comunicar algo importante com sensibilidade. E isso aguça a leitura. Pode acontecer de você se pegar folheando enquanto passa o café ou penteia o cabelo. E foi mais ou menos assim que ocorreu minha leitura de Doidas e Santas, lançado em 2008.

Por ser uma coletânea de crônicas, a leitura oscila. Há textos que são quase um café com leite despretensioso e comum; outros, um expresso duplo que desperta atenção. Entre os que li, “A moça do carro azul” me chamou pela forma como constrói imagem e presença dentro de uma breve passagem de tempo, afinal, toda a história acontece no intervalo de um sinal verde no semáforo. Já “Uma vida interessante” tocou num lugar mais íntimo, quase silencioso, daqueles que a gente nem sabia que tinha interfone.

Trata-se de um livro com cerca de 100 crônicas, e nem todas têm o mesmo impacto. Várias ficaram datadas; outras, quase vazias de tão insignificantes. Mas, no geral, foi uma experiência interessante, especialmente para mim, que fui uma adolescente apaixonada pelos textos de Martha Medeiros. Hoje, vejo que mudei bastante rsrs.

No fim, é um livro que não exige pressa nem leitura linear. Funciona melhor quando lido aos poucos, como quem aceita pequenas conversas espalhadas ao longo dos dias. E confesso: no virar das páginas, entendi que amores adolescentes são, às vezes, apenas amores de uma fase. A gente cresce. Hoje já não me identifico com o jeito de Martha Medeiros escrever, e tudo bem. Foi um amor bonito enquanto durou. A leitura desta obra acabou funcionando mais como uma despedida da fantasia que eu tinha sobre a escrita da autora. A gente muda, e essa talvez seja uma das maiores belezas de estar vivo.

Abraço e até a próxima! 💝

Elôh Santi 


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