A escrita da Martha Medeiros é daquelas que as vezes engana: parece simples à primeira vista, mas em vários momentos ganha um potencial de nos comunicar algo importante preenchido com sensibilidade. E isso aguça a leitura. Pode ocorrer de você se pegar folheando enquanto passa o café ou penteia o cabelo. E foi mais ou menos assim que ocorreu a minha leitura de Doidas e Santas, lançado em 2008.
Por ser uma coletânea de crônicas, a leitura oscila. Tem crônica que é quase um café com leite despretensioso e comum; outras são um expresso duplo que te chama atenção. Entre as que li, “A moça do carro azul” me chamou atenção pela forma como constrói imagem e presença dentro de uma breve passagem de tempo, afinal toda a história acontece no intervalo de um sinal verde no semáforo. Já “Uma vida interessante” tocou num lugar mais íntimo, quase silencioso, daqueles que a gente nem sabia que tinha um interfone.
Trata-se de um livro com cerca de 100 crônicas, e nem todas têm o mesmo impacto. Algumas passam como aquele conhecido em festa que a gente cumprimenta por educação, mas isso faz parte da proposta. No geral, há sempre alguma observação interessante, mesmo nas mais simples. É como folhear uma caixa de bombom: nem todos são do meu sabor favorito, mas nenhum é um abismo terrível de decepção.
No fim, é um livro que não exige pressa nem leitura linear. Ele funciona melhor quando lido aos poucos, como quem aceita pequenas conversas espalhadas ao longo dos dias. E confesso: no virar das páginas, fiquei com a sensação de que Martha Medeiros acabou virando uma espécie de vizinha de corredor, dessas que a gente cruza volta e meia e para para conversar sobre as aleatoriedades do cotidiano.
Abraço e até a próxima ! 💝
Elôh Santi

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