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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Entre presas e perseguidos: o que realmente assusta em Lua Vermelha


É, preciso te falar desse livro que terminei: Lua Vermelha, do Benjamin Percy. Sabe quando você pega uma história que parece ser só sobre lobisomem, mas, na verdade, é sobre um monte de coisa? É bem isso.

Juro que caí na besteira de ler uma crítica no Skoob, que meio que me desmotivou. Então fui arrastando, arrastando… até que, relendo a premissa, vi que ela era tão meio “fora da casinha” que resolvi abstrair a má vontade.  Em sua obra Percy construiu um mundo onde existe um vírus chamado “lycan”, que transforma as pessoas em criaturas agressivas.

Quem é infectado vive praticamente numa prisão a céu aberto. O governo monitora todo mundo, registra, trata como se fosse uma ameaça nacional. Nessa, a gente acompanha dois personagens principais: um garoto que sobrevive a um ataque e começa a questionar tudo o que aprendeu sobre “monstros”, e uma mulher infectada tentando sobreviver num mundo que a odeia e tem medo dela.

O livro alterna os pontos de vista e vai construindo uma tensão absurda, porque, por trás dos ataques e do horror, existe uma crítica social interessantíssima. Ele fala sobre controle do Estado, sobre como a gente cria bodes expiatórios, como o medo vira violência e como as sociedades escolhem seus inimigos. Não é só um livro de lobisomem, e disso você pode ter certeza.

Agora, minha opinião mais sincera ainda: o livro tem seus méritos? Sim!! Ele é intencionalmente ousado, ambicioso, não fica só no susto fácil. Tem cenas de tensão muito bem escritas, e a crítica política é corajosa e clara. Dá pra sentir que o autor quis fazer algo bem feito.

Mas… porque sempre tem um “mas”, né? O ritmo oscila bastante. E acho que vem daí o fato de ele ter críticas tão negativas no Skoob. Em vários momentos, ele se perde em descrições longas demais, quase didáticas, e a história perde a fluidez. Teve hora em que eu queria mais emoção, mais intimidade com os personagens. Alguns poderiam ter sido muito mais explorados, porque a ideia é gigante, talvez até maior do que a história conseguiu sustentar do começo ao fim.

Mesmo assim, é um livro que ficou em mim. Para eu resenhar algo, ele precisa me marcar, ainda que minimamente. E acredito que essa obra não vai te pegar pelo terror em si, mas pela pergunta que ela deixa ecoando depois que a gente fecha o livro: afinal, quem decide quem é o monstro?

Recomendo se você curte uma leitura que mistura fantasia com “crítica social phoda”. E, quando ler, me conta o que achou, porque, se a gente lê com boa vontade, ele dá pano pra manga rsrs.

Abraço e até a próxima!

Elôh Santos 



4 comentários :

  1. Eu abandonei por duas vezes esse livro. Concordo que a premissa é muito boa e ambiciosa e até o meio do livro , da pra seguir. Mas do meio pro final , Percy se perde demais , a escrita fica letárgica.

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  2. É uma e história incrível escrita por um escritor meio perdido . Foi isso que sentir quando li.

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    1. Vou buscar outros livros do Percy para saber se é uma questão com desenvolvimento da historia , ou se ele costuma oscilar tanto no ritmo de suas historias.

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