Começo confessando que, quando iniciei essa leitura, achei que encontraria uma comédia romântica leve para rir das confusões de mulher maluca, coisa que eu amo. Engano meu. Na primeira página, já estava com o coração apertado e um nó na garganta, porque vi, na mulher dessa história, um ser humano de trinta e poucos anos experimentando o âmago da solidão. Phoebe Stone é dessas personagens que a gente abraça, mesmo sendo só papel. Ela é alguém devastada como um castelo de cartas depois de um dia de ventania, carregando lutos que nunca chorou, frustrações que nunca nomeou e um casamento fracassado que a deixou mais vazia do que caixa de bombom comprada nas Americanas para acompanhar nossos dias de fossa.
Acontece que o destino, ou o descaso dela consigo mesma, coloca Phoebe exatamente onde ela não deveria estar: num hotel inteiramente tomado por um casamento dos sonhos. E ela, coitada, é confundida com uma convidada. Agora imagine o caos: uma mulher que mal consegue sair da cama esbarrando em flores, sorrisos ensaiados e numa noiva chamada Lila, que acredita piamente no “felizes para sempre” como quem acredita em Papai Noel. O que poderia ser apenas um mal-entendido constrangedor vira um encontro de universos opostos: de um lado, a fantasia romântica ainda intacta; do outro, a realidade que já mostrou as garras. E é nesse choque que o livro começa a ficar realmente interessante.
Olhando mais de dentro, o que mais me doeu foi perceber que Phoebe não está ali para arruinar nada intencionalmente; ela própria já está arruinada. É aquela dor silenciosa de quem perdeu o lugar no mundo, de quem olha para o futuro e só vê um ponto morto. E o mais curioso é que, em vez de fugir daquele ambiente de perfeição forçada, ela acaba virando um espelho para a noiva. Com suas perguntas tortas, seu olhar cansado e sua recusa involuntária em fingir que está tudo bem, Phoebe desestabiliza aquele castelinho de areia chamado “casamento ideal”. Não por maldade, mas porque a verdade, por mais feia que seja, tem dessas coisas: entra sem bater e senta no melhor lugar da sala.
Achei o ponto de virada da história maravilhoso. Não espere que Phoebe se transforme num poço de sabedoria da noite para o dia; afinal, estados depressivos não são gripe que passa com chazinho. Mas algo muda quando ela começa a enxergar na noiva não uma inimiga da realidade, mas uma versão mais nova e mais perdida dela mesma. A amizade que nasce ali é torta, cheia de silêncios estranhos e olhares que dizem mais do que palavras bonitas. E é justamente nessa conexão improvável que Phoebe, sem perceber, dá o primeiro passo para sair do buraco: quando passa a olhar para fora de si mesma. E isso não é um movimento de salvação e sim de trégua. E, às vezes, a trégua é o recomeço de tudo.
A escrita da autora é fluida e cativante de tal forma que devorei esse livro em dois dias, e eu sou uma leitora lenta por característica. Se você está precisando de um livro que não tenha medo de falar de luto, vazio existencial e da pressão absurda que a sociedade coloca nas nossas costas para sermos felizes de um jeito específico, leia “Como Arruinar um Casamento”. E não se engane pelo título irônico: aqui ninguém está pisando no véu da noiva para vê-la tropeçar. Estão, sim, desmontando com delicadeza as fantasias que nos impedem de viver uma vida verdadeira. Será, com certeza, uma boa leitura para quem já sentiu que o chão sumiu, para quem já duvidou do próprio valor e também para quem ainda acredita que um final feliz pode ser reinventado. Mas não espere um conto de fadas. Espere algo muito melhor: um final humano.
Grande abraço e até a próxima !
Elôh Santi


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Leitura maravilhosa, eu simplesmente devorei esse livro em um dia. A história é muito bem contada.
ResponderExcluirEu amei demais esse livro. Achei o início um pouco lento, mas fiquei muito feliz de ter insistido na leitura. Porque a jornada da Phoebe é linda e inspiradora.
ResponderExcluirAchei que esse livro fosse um romance. Mas é drama ? É tipo "Nem te Contei" da Emilly? Eu tô lendo esse agora . Mas estava querendo comprar esse da resenha também.
ResponderExcluirLivro bem gostoso de ler, eu amei a escrita dessa autora. A história também é boa, é uma comédia romântica mais amadurecida.
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