Mas o que realmente me deixa reflexiva é que, hoje, nem o silêncio tem escapado do registro. Lembro de uma tarde em que desliguei o celular e fui ler, mas, antes, tirei uma foto do livro aberto, postei nos stories e escrevi “Offline”. Por que precisei testemunhar minha própria desconexão? Kkkkkk Parece que, se não houver prova, a experiência não valeu. Até o tédio virou conteúdo: eu registro o momento em que decidi não registrar. E aí me pergunto: será que eu vivo ou só arquivo memórias para consumo futuro? O tempo lento, quando é verdadeiro, não tem moldura. Mas grande parte de nós continua procurando uma.
Confesso que já não sei mais o que é ser low profile de fato. Controlo minhas postagens e meu tempo de consumo de tela, planejo o que assisto e busco passatempos analógicos, mas ainda me soa estranha a necessidade de rolar o feed todos os dias. Cheguei à conclusão de que ser low profile, hoje, raramente significa viver discretamente. Na maior parte das vezes, trata-se de uma estética com curadoria: poucas postagens, mas muito bem pensadas; ausência calculada que se torna presença estratégica.
O verdadeiro low profile não anuncia sua baixa visibilidade, ele simplesmente some. Mas o que vemos são perfis com “último post em final de 2025” visitados diariamente, silêncios ensaiados, biografias com “não estou muito aqui” que são atualizadas toda semana. É a performance da ausência, o espetáculo da moderação. No fundo, me parece que até tentar sair do jogo virou parte do jogo, e a vida vivida de verdade fica cada vez mais difícil de distinguir de sua representação bem-comportada.
Beijo e até a próxima!
Elôh Santi

Verdade, até a nossa ausência tentamos registrar. Chega ser hilário, além de triste.
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